Rui Costa defende adiar eleições de outubro

O governador da Bahia, Rui Costa (PT), criticou, ontem, a postura do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que participou no final de semana de manifestações antidemocráticas que atacaram o Congresso e o Supremo Tribunal Federal (STF) e ainda pediram o fim de isolamento social que tem contido o avanço do coronavírus no país. O petista defendeu ainda o adiamento das eleições por causa da pandemia da covid-19. Para ele, no entanto, a prorrogação de mandato “nunca é bom para a democracia”.

“Agora, eu acho que o calendário da eleição pode ser ajustado. Isso não é nenhuma agressão à democracia. Pelo desenrolar dos acontecimentos, seria prudente o adiamento de 30 dias do calendário eleitoral, fazendo o primeiro turno em novembro e segundo turno em dezembro. Acho que isso não prejudicaria a democracia e recolocaria os prazos e o debate eleitoral fora deste ambiente de crise”, afirmou Rui, em entrevista à rádio Metrópole.

Sobre Bolsonaro, o governador afirmou que “é uma pessoa sem as qualidades e requisitos mínimos para exercer o cargo de presidente”. “Não tem nenhum apreço pela democracia, pela vida humana”, ressaltou. “Tem determinados erros na nossa vida que nós pagamos muito caro. E o Brasil está pagando um preço altíssimo e vai pagar um preço muito ainda nos próximos dias, meses, pelos erros que cometeu da eleição do presidente da República. São dois vírus que temos que enfrentar ao mesmo tempo. O vírus global, do coronavírus. E o vírus da intolerância (do presidente), da incapacidade, da brutalidade, e da falta de sensibilidade com o ser humano”, emendou.

Para Rui, por causa de Bolsonaro, há um “desastre maior” do coronavírus no país. Além disso, na avaliação dele, também teremos um “desastre econômico e social maior do que nós precisaríamos passar” em virtude das ações do chefe do Palácio do Planalto. “Em economia, vale muito a expressão da confiança. O investidor precisa confiar naquela cidade, naquele estado, naquele país, confiar que seu investimento vai ter retorno. Quando o mundo interior olha o Brasil vê essa loucura. Tudo que nós não temos hoje no Brasil é a confiança. O Brasil vai pagar um preço muito alto”, salientou.

O governador criticou a falta de recursos do governo federal para enfrentar a pandemia. “Os recursos que chegaram foram do ministro anterior (Mandetta). O atual ministro (Nelson Teich) eu acho que chegou em um caminhão de mudança e está procurando para que lugar vai. Não se encontrou ainda. Não é fácil para alguém que não tem história no setor de saúde pública. Não conhece o ministério, não conhece saúde pública. É um homem da saúde, mas era consultor de saúde do mercado privado. Não tem a mínima noção do que é saúde pública e entra no ministério no meio de uma pandemia. Ele ainda está buscando se encontrar”, ressaltou.

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