Uso de cigarros eletrônicos por jovens preocupa escolas e especialista

A crescente febre do uso de cigarro eletrônico entre jovens vem preocupando instituições de saúde e ensino. Especialistas alertam que os chamados vapes são capazes de causar tantos danos quanto o cigarro tradicional. 

De acordo com a Umane, associação civil sem fins lucrativos dedicada a apoiar iniciativas de prevenção de doenças e promoção à saúde, os usuários de cigarro eletrônico no Brasil são de maioria jovem e o número vem aumentando nos últimos anos, contabilizando 19,7% da população. 

Os aparelhos são alimentados por uma bateria de lítio e possuem um mecanismo de aquecimento em que se coloca a substância, podendo ter diferentes essências, como a própria nicotina. A pneumologista Margarida Neves faz parte do setor de Cessação ao Tabagismo do Hospital Aliança e explica o funcionamento e o malefício. “Isso vai entrar em contato com a parte de temperatura mais elevada do dispositivo eletrônico e vai fazer com que haja, assim, uma combustão desse líquido que vai evaporar uma fumaça”.

Desmentindo a ideia de que os vapes seriam menos nocivos do que os cigarros tradicionais, a médica explica o diferencial desses aparelhos. “Além das substâncias que esse líquido libera quando você fuma, tem também a questão da temperatura”. Neves ainda reitera que não há cigarros eletrônicos com níveis seguros de concentração de substâncias e faz um alerta. “O vape aumenta muito o risco de dependência, principalmente em jovens, aumentando tanto o risco de doenças pulmonares como cardíacas. Então, ele deve ser evitado”, destaca.

A popularidade do dispositivo logo foi percebida no ambiente escolar. A diretora pedagógica Zeila Soledade, do Colégio Perfil, contou um pouco como se deram os primeiros contatos e o processo de combate. “Este ano percebemos fortemente um movimento em relação ao uso do cigarro eletrônico nas conversas dos alunos e nas festas que frequentam. Alguns até tentaram infringir as normas da escola, trazendo cigarros eletrônicos para usarem escondidos no banheiro”, conta. 

A partir disso, a equipe pedagógica percebeu a necessidade de debater o assunto mais amplamente. “Vimos que o trato do uso do POD, para eles, estava atingindo um nível alto de naturalidade, demonstrando ausência de conhecimento e de reflexão diante, não só dos efeitos químicos no corpo, como a proibição legal do uso e da venda em estabelecimentos comerciais”, relata a diretora. 

O cenário é semelhante em outras escolas de Salvador, como é o caso do Colégio Antônio Vieira, que também passou a tentar discutir o assunto. Após enviar uma carta aberta a alunos e familiares a respeito do tema, a instituição passou a organizar palestras e rodas de conversas com especialistas, visando conscientizar e reduzir o uso entre os alunos.

A Anvisa já proibia a importação, propaganda e venda dos cigarros eletrônicos desde 2009 e, no último mês, a proibição foi renovada pelo órgão.

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