O que é a Otan e por que Putin não aceita a Ucrânia na organização?

A escalada do conflito entre Rússia e Ucrânia direcionou os holofotes do mundo para uma aliança militar que, embora antiga e influente, não era presença massiva no vocabulário mundial. A Organização do Tratado do Atlântico Norte, ou Otan (NATO na sigla em inglês), passou a ser apontada pelos russos como uma ameaça e uma das justificativas para as ofensivas militares na Ucrânia.

O conflito russo-ucraniano gerou um maior interesse em conhecer as questões envolvendo a organização. Segundo dados parciais do Google Trends, os termos “Otan” e “Nato” registraram os seus picos de popularidade em pesquisas na plataforma no último mês de fevereiro.

Apesar de serem dados parciais, já são os maiores desde que a plataforma iniciou os registros sobre pesquisas de termos em 2004.

A Otan é uma aliança militar, criada ainda em 1949 e composta atualmente por 30 nações da América do Norte e Europa. Dentre elas, grandes potências ocidentais como os Estados Unidos, a França, a Alemanha e o Reino Unido. À época da fundação, tinha como principal função proteger nações europeias da expansão da União Soviética (URSS) e da influência do comunismo no período pós-Segunda Guerra Mundial; durante a escalada da Guerra Fria.

Alguns anos depois, a URSS respondeu à criação da Otan com o chamado Pacto de Varsóvia (1955), uma aliança militar com países do então bloco comunista. Apesar disso, com o desenrolar da Guerra Fria e a dissolução da URSS em 1991, a força soviética diminuiu a ponto de que, atualmente, nações que fizeram parte do bloco soviético hoje fazem parte dos quadros da Otan. Dentre elas estão: Estônia, Letônia e Lituânia.

Uma das razões que reacendeu as antigas tensões entre russos e ucranianos, agravadas desde a anexação da Crimeia pela Rússia em 2014, foi a crescente aproximação da Ucrânia com o Ocidente. Seja pelo interesse do governo local de entrar na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) ou mesmo na União Europeia (UE).

Geograficamente, a Ucrânia é praticamente o território que separa a Rússia da União Europeia, portanto os russos passaram a ver essa proximidade como uma ameaça aos seus interesses políticos, comerciais e zonas de influência no Leste Europeu.

Um fator importante a ser considerado é que a Otan estabelece que um ataque a um país-membro significaria um conflito contra todo o bloco militar. Na prática, significa dizer que caso a Ucrânia entrasse na aliança e sofresse um ataque russo, como os atuais, poderia acarretar uma guerra total.

Ainda em 2008, a Otan começou a considerar uma abertura à Ucrânia, mas sem estipular uma data para tal. As relações começaram a esquentar e de lá para cá, o presidente russo aponta que a expansão da Otan pelo Leste Europeu é uma ameaça existencial ao país.

Em dezembro do ano passado, o presidente russo Vladimir Putin respondeu a uma jornalista que a expansão da Otan pelo Leste Europeu era “inaceitável” e questionou qual seria a reação dos americanos num cenário oposto. “Como os Estados Unidos reagiriam se colocássemos nossos mísseis na fronteira entre o Canadá e os EUA, ou na fronteira do México com os EUA?”, pontuou.

O líder russo também lembrou os conflitos territoriais entre americanos e mexicanos. “Será que o México e os EUA nunca tiveram disputas territoriais? De quem eram a Califórnia e o Texas? Já esqueceram? Tudo bem, já passou. Ninguém lembra disso hoje como lembram da Crimeia”, concluiu à época.

Para o líder russo, ver a Ucrânia, um vizinho próximo geograficamente, historicamente e culturalmente, curvando-se aos interesses ocidentais acarretaria numa perda de força. Para se ter noção da ligação histórica, a cidade de Kiev, atual capital da Ucrânia, foi a primeira capital do que hoje é a Rússia. O idioma russo é amplamente falado dentro do território ucraniano.

Putin aponta como cenário ideal um quadro em que a Otan retornaria à composição anterior ao ano de 1997, o que excluiria as ex-repúblicas soviéticas da organização. Como forma de evitar o atual conflito armado, ele também pediu que a Otan garantisse que os ucranianos nunca entrariam na aliança.

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