Orçamento Secreto, a indecência em nome do auxílio aos pobres – ITAPICURU FM 104,9

Orçamento Secreto, a indecência em nome do auxílio aos pobres

Quem assistiu a sessão da Câmara dos Deputados anteontem, que votou a PEC dos Precatórios, teve a impressão de que os papéis se inverteram. Os bolsonaristas deram a impressão de que são os defensores dos fracos e oprimidos, papel da esquerda, chamada de ‘inimigos do povo’, que os chamava de corruptos.

No frigir dos ovos, cheirou mal. Diz o governo que dos R$ 91,6 bilhões que a tal PEC abre de brecha nos gastos, R$ 50 bilhões vão para o auxílio emergencial e outros R$ 24 bilhões para os ajustes dos benefícios vinculados ao salário mínimo, e R$ 10 bilhões ‘para atender as demandas da sociedade’.

É aí que mora o xis da questão. Se diz que uma dinheirama de muitos bilhões vão bancar o orçamento secreto, uma espécie exótica na cena das traquinagens, alguém assegurar o dinheiro, sem ter o projeto, algo nunca visto, que o STF barrou antes mesmo de valer.

Toma lá — Óbvio que o pano de fundo do cenário é 2022. O Auxílio Emergencial, o sucessor do Bolsa Família, só vai durar um ano, com a ressalva de que desde que existe nunca precisou disso. Como também os outros efeitos são para durar um ano também, o da eleição. Bolsonaro passou mais de três anos sem partidos e montou o seu mix de apoios com a força da caneta que escancara o cofre.

Justo ele, que ganhou a eleição e iniciou o mandato amaldiçoando o toma lá, dá cá, entra pesado no toma lá. Se vai ter o dá cá é outro papo.

Um infeliz aniversário

Valença completou ontem 172 anos. Agenda oficial: nenhuma. A data só não passou em branco porque houve uma missa na Igreja do Amparo, celebrada pelo Padre Marcos Reis.

Lá, o prefeito Jairo Batista (PP) presente, ouviu um pedido de socorro do padre. Ele quer dois guardas aos domingos para proteger os fiéis que vão à missa. E deu a má notícia: domingo, dia maior da Festa do Amparo, um turista foi assaltado.

Time de Otto quase unido

Embora a votação do 1º turno da PEC tenha provocado arranhões entre o senador Otto Alencar e o governador Rui Costa, os aliados  se comportaram no 2º da mesma forma que da primeira vez.

Dos aliados de Otto, só Paulo Magalhães votou contra nos dois turnos. O senador, aliás, foi um dos que costuraram o acordo como o prazo para os prefeitos renegociarem as dívidas do INSS e diz que combinou antes com Rui Costa.

Os prefeitos fazem festa 

Mas nem tudo foi mal visto na PEC dos Precatórios. Os prefeitos baianos, por exemplo, fizeram festa. Ela abre chance para os prefeitos se livrarem de um calo, a dívida com o INSS. Se aprovada, a PEC vai permitir que eles negociem um pagamento em 240 meses (20 anos). Danilo Rios (PCdoB), prefeito de Várzea da Roça, diz que para ele caiu bem.

— Eu devo lá R$ 15 milhões, herdei. E a prefeitura fica inadimplente porque eu não posso pagar.

No placar baiano, Félix foi o único a mudar o voto

Se no 2º turno o projeto da PÈC dos Precatórios teve mais votos (323) que no 1º (312), na Bahia o primeiro placar foi 24 a favor, 14 contra e uma ausência (Ronaldo Carletto – PP), no segundo houve mudança, pouca mais houve: 23 pró, 15 contra. Mudou Félix Mendonça, do PDT, após o esperneio de Ciro Gomes, que por sinal, já havia dito antes que seguiria o partido. 

O outro deputado federal do PDT, Alex Santana, também já havia dito antes que não ia mudar e não mudou. Ele evangélico, da Assembleia de Deus, e sempre se alinhou com Bolsonaro. Só espera a janela partidária se abrir em março, para mudar de legenda.

Félix diz achar melhor assim, ‘quem não quer seguir o partido, caia fora’.

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