Aliados se explicam após fala de Rui Costa sobre PEC

Uma declaração do governador Rui Costa (PT) sobre a votação da PEC dos Precatórios gerou burburinho na base petista, pois, parlamentares aliados não gostaram nada da fala do mandatário do Executivo baiano. Em um evento do governo, o chefe do Palácio de Ondina chamou de “traíras” os deputados federais que votaram a favor da proposta. Segundo ele, a Bahia deixará de receber R$ 10 bilhões de recursos do Fundeb para investir na Educação no próximo ano. 

“Chega de deputado traíra. Chega de gente que maltrata o nosso povo e que vem aqui com conversa mole enrolar o povo. O Brasil não aguenta mais”, disse o governador, em um discurso na cidade baiana de Jaguarari. Rui ainda comparou a relação dos deputados com os eleitores a um escambo, prática que foi adotada entre portugueses e indígenas quando os europeus chegaram ao Brasil. “(Os deputados) chegam aqui distribuindo quinquilharias em troca dos bilhões de reais que estão tirando do povo baiano e do povo nordestino, em troca da miséria que eles fizeram aumentar no nosso país”, declarou o petista, acrescentando: “Os portugueses queriam roubar o povo indígena, os bens naturais, o ouro. O que eles faziam naquela época? Antes, até do tráfico de negros vindos da África, eles traziam espelhos, bugigangas, para iludir o povo indígena. Enquanto distribuíam espelhos, estavam levando o ouro embora. É a mesma coisa que os deputados aliados de Bolsonaro querem fazer com o povo da Bahia, do Brasil e do Nordeste”. 

Presidente do PSD na Bahia, o senador Otto Alencar comentou. O filho do senador, o deputado federal Otto Alencar Filho (PSD), votou a favor da matéria. Otto fez questão de ressaltar que houve acordo antes com o governador. “O PSD na Bahia só aceita aliança se for respeitado”, avisou. “Sou aliado fiel e não aceito agressão ao meu partido, nem a membros do meu partido. Quem sugeriu o parcelamento em três parcelas foi o governador Rui Costa. (…) Conversei com a bancada, com o presidente (da Câmara dos Deputados) Arthur Lira e depois conversei com o governador sobre o assunto. (Ante)ontem à noite, conversei com o governador e ele não me pediu que orientasse o voto contra”, declarou o senador. 

O deputado federal Cacá Leão (PP) endossou a fala de Otto. “As palavras do senador Otto Alencar restabelecem a verdade de quem participou e homologou os acordos para votação da bancada baiana durante a votação da PEC dos Precatórios”, disse o progressista. “O tempo do chicote e do coronelismo já acabou na Bahia faz tempo e não será reeditado por ninguém. Somos aliados fiéis, mas não somos capachos e exigimos respeito às nossas posições”, completou, em uma publicação no Twitter. Também da base de Rui Costa, o deputado federal José Rocha (PL) afirmou que não vai ser “patrulhado”. “Eu não aceito ter o patrulhamento do meu voto. O governador não vai patrulhar o meu voto. Ele não pode cobrar nada. Eu voto com minha consciência. Somos aliados, e não comandados dele”, ressaltou Rocha, em entrevista à Tribuna

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