{"id":374,"date":"2020-05-08T13:07:56","date_gmt":"2020-05-08T16:07:56","guid":{"rendered":"http:\/\/itapicurufm.com.br\/?p=374"},"modified":"2020-05-08T13:07:59","modified_gmt":"2020-05-08T16:07:59","slug":"a-farsa-dos-caixoes-vazios-usados-para-minimizar-mortes-por-covid-19","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/itapicurufm.com.br\/index.php\/2020\/05\/08\/a-farsa-dos-caixoes-vazios-usados-para-minimizar-mortes-por-covid-19\/","title":{"rendered":"A farsa dos caix\u00f5es vazios usados para minimizar mortes por covid-19"},"content":{"rendered":"\n<p>Uma s\u00e9rie de publica\u00e7\u00f5es com boatos sobre caix\u00f5es vazios ou com pedras, em meio \u00e0 pandemia do novo coronav\u00edrus, tem circulado nas redes sociais nas \u00faltimas semanas. Informa\u00e7\u00f5es falsas e imagens e not\u00edcias de anos anteriores compartilhadas massivamente buscam minimizar ou contestar o atual cen\u00e1rio de mortes em decorr\u00eancia da covid-19, doen\u00e7a causada pelo v\u00edrus, no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Caix\u00f5es sepultados vazios em SP e no Amazonas. Covas abertas apenas para a #globolixo exercitar o mau caratismo (depois aterradas). N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 nesses dois estados, n\u00e3o, tem mais a\u00ed&#8221;, escreveu um homem em seu perfil no Facebook. O texto \u00e9 acompanhado de duas imagens de caix\u00f5es vazios e abertos. Foram mais de 1,9 mil compartilhamentos na publica\u00e7\u00e3o, feita em 30 de abril.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas segundo a Ag\u00eancia Lupa, especializada em checagem de informa\u00e7\u00f5es, uma das fotos \u00e9 de um caix\u00e3o abandonado na beira da estrada h\u00e1 mais de dois anos, entre os munic\u00edpios de Arari e Vit\u00f3ria do Mearim, no Maranh\u00e3o. A outra imagem \u00e9 de um caix\u00e3o abandonado em Jo\u00e3o Pessoa, na Para\u00edba, em agosto de 2015.<\/p>\n\n\n\n<p>Um levantamento apontou que 30% dos v\u00eddeos e fotos mais compartilhados sobre o novo coronav\u00edrus em grupos de WhatsApp, na semana passada, eram fake news sobre caix\u00f5es vazios. Os dados s\u00e3o dos grupos Monitor do Debate Pol\u00edtico no Meio Digital, da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), e Elei\u00e7\u00f5es Sem Fake, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em apura\u00e7\u00e3o feita em mais de 500 grupos do aplicativo de conversa. <\/p>\n\n\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Essas not\u00edcias falsas fazem com que as pessoas desacreditem nas informa\u00e7\u00f5es que passamos. Muitos ficam pensando que nossas informa\u00e7\u00f5es sobre os \u00f3bitos s\u00e3o falsas. Isso nos atrapalha demais&#8221;, relata uma enfermeira de Manaus, que pediu para n\u00e3o ser identificada. O Amazonas, que enfrenta colapso no sistema de sa\u00fade, costuma ser um dos mais citados nas fake news.<\/p>\n\n\n\n<p>O fil\u00f3sofo Pablo Ortellado, professor da USP, afirma \u00e0 BBC News Brasil que o compartilhamento de fake news no atual contexto da pandemia \u00e9 parte de a\u00e7\u00f5es negacionistas sobre o novo coronav\u00edrus. &#8220;\u00c9 como se as not\u00edcias reais fossem para &#8216;causar terrorismo&#8217; na popula\u00e7\u00e3o. Podemos observar que as pessoas que mais acreditam nessas fake news s\u00e3o as que menos est\u00e3o em isolamento social&#8221;, declara.<\/p>\n\n\n\n<p>Not\u00edcias falsas que causarem p\u00e2nico, principalmente no atual contexto da pandemia, difamarem algu\u00e9m ou acusarem sem provas podem terminar em puni\u00e7\u00f5es legais.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">As fake news<\/h3>\n\n\n\n<p>Nesta quinta-feira (7), o Brasil ultrapassou a marca dos 9.000 mortos pelo novo coronav\u00edrus. J\u00e1 foram registrados mais de 135 mil casos. Nos tr\u00eas \u00faltimos dias, os n\u00fameros di\u00e1rios de \u00f3bitos chegaram ao patamar de 600.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante do atual cen\u00e1rio da pandemia no pa\u00eds, as fake news se tornam empecilhos para a conscientiza\u00e7\u00e3o das pessoas sobre o Sars-Cov-2, nome oficial do novo coronav\u00edrus.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;As fake news s\u00e3o sempre danosas, especialmente neste momento. Gerar esse ru\u00eddo na informa\u00e7\u00e3o correta prejudica a popula\u00e7\u00e3o que mais precisa de ajuda. Isso faz com que aqueles menos escolarizados e com menos capacidade de interpreta\u00e7\u00e3o acreditem que est\u00e3o acontecendo coisas como o enterro de caix\u00f5es vazios&#8221;, declara Patr\u00edcia Blanco, presidente do Instituto Palavra Aberta, ONG que trabalha na defesa da liberdade de express\u00e3o e que possui iniciativas de combate \u00e0 desinforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>As not\u00edcias sobre supostos caix\u00f5es sem corpos foram refor\u00e7adas pela deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP). Ela afirmou, em entrevista ao jornalista Jos\u00e9 Luiz Datena, que no Cear\u00e1 h\u00e1 casos de caix\u00f5es enterrados vazios em meio \u00e0 pandemia. Segundo ela, a afirma\u00e7\u00e3o \u00e9 comprovada por uma foto de uma &#8220;mo\u00e7a carregando um caix\u00e3o com um dedinho&#8221;, como se estivesse encenando um enterro.<\/p>\n\n\n\n<p>Zambelli n\u00e3o apresentou qualquer prova sobre a afirma\u00e7\u00e3o. Posteriormente, disse que recebeu as imagens sobre os supostos caix\u00f5es vazios por meio de duas pessoas, mas n\u00e3o deu mais detalhes.<\/p>\n\n\n\n<p>As declara\u00e7\u00f5es da deputada causaram indigna\u00e7\u00e3o no governo do Cear\u00e1, que as classificou como inconsequentes e afirmou que ir\u00e1 \u00e0 Justi\u00e7a contra a parlamentar. &#8220;Tais declara\u00e7\u00f5es s\u00e3o um insulto aos profissionais de sa\u00fade cearenses e um desrespeito \u00e0s fam\u00edlias das v\u00edtimas, que j\u00e1 sofrem neste momento t\u00e3o dif\u00edcil&#8221;, disse nota de rep\u00fadio do governo cearense.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de Zambelli n\u00e3o detalhar, uma das fake news que viralizaram nas \u00faltimas semanas mostra justamente uma mulher que estaria carregando um caix\u00e3o nas pontas dos dedos. Nos coment\u00e1rios da imagem, diziam que o caix\u00e3o estava vazio, por isso ela n\u00e3o precisaria fazer esfor\u00e7os. A Ag\u00eancia Lupa, por\u00e9m, mostrou que a imagem foi modificada. A original, publicada pelo jornal Folha de S.Paulo, foi cortada para esconder que o caix\u00e3o estava apoiado sobre uma mesa improvisada.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Propagar a desinforma\u00e7\u00e3o<\/h3>\n\n\n\n<p>Para pesquisadores, h\u00e1 casos de fake news criadas por pessoas que realmente acreditam naquilo. Por\u00e9m, os especialistas afirmam que boa parte das not\u00edcias mentirosas surgem por meio de pessoas com o objetivo de propagar a desinforma\u00e7\u00e3o, conscientes de que aquilo que est\u00e3o compartilhando n\u00e3o \u00e9 verdade.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Boa parte dessas fake news s\u00e3o criadas para refor\u00e7ar aquelas ideias que a pessoa defende. Uma das estrat\u00e9gias \u00e9 que haja v\u00eddeos e \u00e1udios com muitos sotaques, de diferentes regi\u00f5es do pa\u00eds, para gerar a convic\u00e7\u00e3o de que aquilo realmente \u00e9 uma realidade e acontece em v\u00e1rios lugares&#8221;, diz Ortellado, da USP.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o fil\u00f3sofo, um dos principais meios de surgimento dessas not\u00edcias falsas \u00e9 o WhatsApp. &#8220;\u00c9 um aplicativo que n\u00e3o pode ser monitorado totalmente, pois h\u00e1 muitos grupos privados, cujos conte\u00fados s\u00e3o criptografados. Ent\u00e3o, fica praticamente imposs\u00edvel descobrir onde come\u00e7ou aquela fake news&#8221;, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>(msn.com.br)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma s\u00e9rie de publica\u00e7\u00f5es com boatos sobre caix\u00f5es vazios ou com pedras, em meio \u00e0 pandemia do novo coronav\u00edrus, tem<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":375,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-374","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/itapicurufm.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/374","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/itapicurufm.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/itapicurufm.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/itapicurufm.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/itapicurufm.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=374"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/itapicurufm.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/374\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":376,"href":"https:\/\/itapicurufm.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/374\/revisions\/376"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/itapicurufm.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/375"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/itapicurufm.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=374"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/itapicurufm.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=374"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/itapicurufm.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=374"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}