{"id":15232,"date":"2024-04-21T22:22:55","date_gmt":"2024-04-22T01:22:55","guid":{"rendered":"https:\/\/itapicurufm.com.br\/?p=15232"},"modified":"2024-04-23T16:24:32","modified_gmt":"2024-04-23T19:24:32","slug":"15232","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/itapicurufm.com.br\/index.php\/2024\/04\/21\/15232\/","title":{"rendered":"Febre do Oropouche: Entenda a doen\u00e7a que j\u00e1 tem mais de 3 mil casos no Brasil e tamb\u00e9m \u00e9 transmitida por mosquito."},"content":{"rendered":"\n<p>O n\u00famero de casos de febre oropouche quadruplicaram no Brasil. Enquanto em 2023 foram registrados 832 casos da doen\u00e7a, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade (MS) contabilizou 3.354 apenas nas quinze primeiras semanas de 2024.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"400\" src=\"https:\/\/itapicurufm.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/o-mosquito-maruim-culicoides-paraensis-e-o-principal-vetor-de-transmissao-2070873-article-1.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15233\" srcset=\"https:\/\/itapicurufm.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/o-mosquito-maruim-culicoides-paraensis-e-o-principal-vetor-de-transmissao-2070873-article-1.jpeg 600w, https:\/\/itapicurufm.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/o-mosquito-maruim-culicoides-paraensis-e-o-principal-vetor-de-transmissao-2070873-article-1-300x200.jpeg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p id=\"paragrafo-83cfqqfq0i\">Do total deste ano, 2.538 dos casos s\u00e3o em residentes dos Amazonas, seguidos por Rond\u00f4nia (574), Acre (108), Par\u00e1 (29) e Roraima (18). Fora da regi\u00e3o Norte, Bahia (31), Mato Grosso (11), S\u00e3o Paulo (7) e Rio de Janeiro (6) foram os Estados com maior n\u00famero de registros da doen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"paragrafo-pnoc32bo0z\">De acordo com o MS, a descentraliza\u00e7\u00e3o do diagn\u00f3stico laboratorial para detec\u00e7\u00e3o do v\u00edrus nos Estados da regi\u00e3o amaz\u00f4nica, onde a febre \u00e9 considerada end\u00eamica, \u00e9 o principal motivo por tr\u00e1s do aumento no n\u00famero de casos.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"paragrafo-1bngfald7f\">A situa\u00e7\u00e3o, contudo, \u00e9 mais complexa. Enquanto locais da Amaz\u00f4nia t\u00eam maior disponibilidade de exames, h\u00e1 outras regi\u00f5es do Brasil sem possibilidade de detec\u00e7\u00e3o, o que sugere que o n\u00famero de casos de febre oropouche seja muito superior ao registrado.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"paragrafo-sqa9hgtepj\">Al\u00e9m disso, outro fator que colabora com a subnotifica\u00e7\u00e3o \u00e9 a semelhan\u00e7a entre os sintomas da oropouche com a dengue. Al\u00e9m de serem arboviroses \u2013 grupo de doen\u00e7as virais transmitidas principalmente por artr\u00f3podes, como mosquitos e carrapatos -, os dois quadros costumam causar dor de cabe\u00e7a, nos m\u00fasculos e articula\u00e7\u00f5es, al\u00e9m de n\u00e1usea e diarreia.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"paragrafo-2t5pm1xxiq\">Na an\u00e1lise da infectologista do Hospital Israelita Albert Einstein, Emy Gouveia, o ritmo at\u00edpico da febre oropouche, assim como de dengue, tamb\u00e9m pode ser associado ao fen\u00f4meno El Ni\u00f1o e \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, que resultam em temperaturas elevadas e chuvas irregulares, condi\u00e7\u00f5es ideais para a reprodu\u00e7\u00e3o dos mosquitos transmissores e, consequentemente, dissemina\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"paragrafo-hk9abw516b\"><strong>O que \u00e9 a febre oropouche?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p id=\"paragrafo-ikxhm5ize9\">Como o nome sugere, a febre oropouche \u00e9 uma doen\u00e7a causada pelo v\u00edrus oropouche. Transmitido aos seres humanos principalmente pela picada do Culicoides paraensis, conhecido como maruim ou mosquito-p\u00f3lvora, esse v\u00edrus foi detectado no Brasil na d\u00e9cada de 1960 a partir de amostra de sangue de um bicho-pregui\u00e7a capturado durante a constru\u00e7\u00e3o da rodovia Bel\u00e9m-Bras\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"paragrafo-lyv6g4fkve\">Desde ent\u00e3o, casos isolados e surtos foram relatados no Brasil, principalmente nos Estados da regi\u00e3o Amaz\u00f4nica. Tamb\u00e9m j\u00e1 foram relatados casos e surtos em outros pa\u00edses das Am\u00e9ricas Central e do Sul (Panam\u00e1, Argentina, Bol\u00edvia, Equador, Peru e Venezuela).<\/p>\n\n\n\n<p id=\"paragrafo-lre63x4op6\"><strong>Como ocorre a transmiss\u00e3o?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p id=\"paragrafo-7ps45gf967\">Segundo Emy, a transmiss\u00e3o ocorre quando um mosquito pica primeiro uma pessoa ou animal infectado e, em seguida, pica uma pessoa saud\u00e1vel, passando a doen\u00e7a para ela.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"paragrafo-zt9zj2azv6\"><strong>Existem dois tipos de ciclos de transmiss\u00e3o da doen\u00e7a:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p id=\"paragrafo-5ykvfc7hla\">Ciclo silvestre: nesse ciclo, os animais como bichos-pregui\u00e7a e macacos s\u00e3o os hospedeiros do v\u00edrus. Alguns tipos de mosquitos, como o Coquilletti diavenezuelensis e o Aedes serratus, tamb\u00e9m podem carregar o v\u00edrus, mas o maruim \u00e9 considerado o principal transmissor nesse ciclo.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"paragrafo-xp3khmfpo6\">Ciclo urbano: j\u00e1 no ciclo urbano, os humanos s\u00e3o os principais hospedeiros do v\u00edrus. O maruim tamb\u00e9m \u00e9 o vetor principal, por\u00e9m, alguns casos tamb\u00e9m podem estar associados ao Culex quinquefasciatus, comumente encontrado em ambientes urbanos.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"paragrafo-31lqacamsp\">\u201cA diversidade de mosquitos envolvidos na transmiss\u00e3o do v\u00edrus \u00e9 uma das preocupa\u00e7\u00f5es mais s\u00e9rias em rela\u00e7\u00e3o ao aumento de casos no Brasil, especialmente em regi\u00f5es al\u00e9m da Amaz\u00f4nia, uma vez que a dissemina\u00e7\u00e3o pode ocorrer de maneira mais r\u00e1pida, considerando que as pessoas tamb\u00e9m s\u00e3o hospedeiras\u201d, afirma Emy<\/p>\n\n\n\n<p id=\"paragrafo-f0l1lmtuuq\"><strong>Como diferenciar a febre oropouche da dengue?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p id=\"paragrafo-whj8mvu7yf\">Al\u00e9m da diferen\u00e7a entre os mosquitos vetores, que, no caso da dengue, \u00e9 o Aedes aegypti, as doen\u00e7as se diferenciam pela evolu\u00e7\u00e3o do quadro cl\u00ednico.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"paragrafo-rx1e7tjv98\">O paciente diagnosticado com dengue pode come\u00e7ar a sentir dores abdominais intensas e, no pior dos casos, pode apresentar hemorragias internas, o que n\u00e3o acontece na oropouche.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"paragrafo-6gpqwmkuqu\">Uma caracter\u00edstica espec\u00edfica da oropouche \u00e9 a apresenta\u00e7\u00e3o de ciclo bif\u00e1sico. Geralmente, a pessoa tem febre e dores por alguns dias e eles desaparecem em seguida. Ap\u00f3s uma semana, o quadro da doen\u00e7a retorna, at\u00e9 sumir novamente.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"paragrafo-st9yg6mzyh\">Segundo Emy, n\u00e3o h\u00e1 casos de mortalidade pela doen\u00e7a. Por\u00e9m, uma outra caracter\u00edstica marcante \u00e9 que nos casos mais graves pode haver comprometimento do sistema nervoso central, com quadros como meningite ass\u00e9ptica e meningoencefalite, principalmente em pacientes imunocomprometidos.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"paragrafo-yjw2vhvjop\">Vale ressaltar tamb\u00e9m que, diferente da dengue, ainda n\u00e3o h\u00e1 imunizantes espec\u00edficos para a febre oropouche.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"paragrafo-om38oncvqy\"><strong>Quais s\u00e3o os grupos de risco?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p id=\"paragrafo-85loxat64p\">De acordo com a infectologista do Hospital Albert Einstein, os idosos e as crian\u00e7as s\u00e3o os principais grupos de risco da febre oropouche.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"paragrafo-z0ua72srdn\">No caso dos idosos, o perigo est\u00e1 relacionado \u00e0 maior possibilidade de desidrata\u00e7\u00e3o e presen\u00e7a de comorbidades. J\u00e1 entre crian\u00e7as, al\u00e9m da desidrata\u00e7\u00e3o, a dificuldade de controlar a febre \u00e9 o que amplia o risco de a doen\u00e7a evoluir para um quadro pior.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"paragrafo-8t549r5pri\"><strong>Como o diagn\u00f3stico \u00e9 feito?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p id=\"paragrafo-wena486ej3\">Atualmente, apenas um exame faz a identifica\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a: o RT-PCR desenvolvido pela Fiocruz Amazonas. A coleta \u00e9 por meio do sangue e o exame fica dispon\u00edvel nos Laborat\u00f3rios Centrais de Sa\u00fade P\u00fablica (Lacens).<\/p>\n\n\n\n<p id=\"paragrafo-mfk646bf9t\">Existem tamb\u00e9m testes que dizem se a pessoa tem anticorpos da doen\u00e7a, e que revelam infec\u00e7\u00e3o recente, mas s\u00e3o poucos disponibilizados em laborat\u00f3rios.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"paragrafo-sqa8tshhz6\">\u201cGeralmente, por causa da pouca disponibilidade de exames, eles ficam restritos \u00e0s pessoas com sintomas t\u00edpicos da fase aguda da doen\u00e7a ou que testaram negativo para dengue ou chicungunya. Al\u00e9m disso, quando o paciente n\u00e3o \u00e9 da Amaz\u00f4nia, mas teve passagem pela regi\u00e3o, a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 redobrada\u201d, afirmou Emy.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"paragrafo-l0z3lq9gva\"><strong>Como \u00e9 o tratamento?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p id=\"paragrafo-ghj9zk4ld8\">De acordo com a especialista, ainda n\u00e3o h\u00e1 um medicamento espec\u00edfico para tratar a febre oropouche. Por isso, o tratamento \u00e9 de suporte. Ou seja, costumam ser administradas medica\u00e7\u00f5es para dor, n\u00e1useas e febre, al\u00e9m da indica\u00e7\u00e3o de hidrata\u00e7\u00e3o e repouso.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"paragrafo-x9ihfnzbep\">Outra diferen\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 dengue \u00e9 que a febre oropouche n\u00e3o possui contraindica\u00e7\u00e3o de medicamentos. Ent\u00e3o, a administra\u00e7\u00e3o de anti-inflamat\u00f3rios \u00e9 liberada. Mas, para isso, \u00e9 essencial que exista uma diferencia\u00e7\u00e3o do quadro cl\u00ednico, j\u00e1 que a administra\u00e7\u00e3o de certos medicamentos durante a dengue pode agravar a situa\u00e7\u00e3o do paciente, ocasionando inclusive quadros hemorr\u00e1gicos.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"paragrafo-16o13vef8t\"><strong>Como prevenir?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p id=\"paragrafo-vsjx9kcdsy\">De acordo com o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, as formas de preven\u00e7\u00e3o incluem:<\/p>\n\n\n\n<p id=\"paragrafo-dfnldo3l4z\">\u2013 Evitar \u00e1reas onde h\u00e1 muitos mosquitos, se poss\u00edvel;<\/p>\n\n\n\n<p id=\"paragrafo-vfxew8d38b\">\u2013 Usar roupas que cubram a maior parte do corpo e aplique repelente nas \u00e1reas expostas da pele, especialmente nas regi\u00f5es com maior n\u00famero de casos;<\/p>\n\n\n\n<p id=\"paragrafo-6tggf8ousv\">\u2013 Manter a casa limpa, removendo poss\u00edveis criadouros de mosquitos, como \u00e1gua parada e folhas acumuladas;<\/p>\n\n\n\n<p id=\"paragrafo-omaqoh5agr\">\u2013 Se houver casos confirmados na sua regi\u00e3o, \u00e9 recomendado seguir as orienta\u00e7\u00f5es das autoridades de sa\u00fade local para reduzir o risco de transmiss\u00e3o, como medidas espec\u00edficas de controle de mosquitos;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O n\u00famero de casos de febre oropouche quadruplicaram no Brasil. 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